Ensina-me – uma voz suave e doce diz-me a mim – faz-me te entender, compreender o contorno das tuas palavras e cores dos olhos.
Mas, não. Docilmente, exclamo que não. Não e não.
Sim, há sol lá fora, calor apetecível e para a harmonia ser perfeita, há sorrisos.
O meu não. Não. Não.
Cá dentro uma forte e brava tempestade. E irias tu a acalma-la?
Com tuas palavras só reforçaste o furacão em chamas que existe em mim. Falar-te em dor, magoa, angustia é pouco. É pouco para quem me foi muito.
É pouco, tão pouco! E exclamas e criticas-me, e no fundo, sais fora do barco. Do barco que tem tantos lugares vazios, o barco que é a minha vida. Saltaste e, nem sabias nadar. Preferiste uma morte imediata a uma espera desconhecida, porque não saberíamos onde ir ser o local onde iríamos dar. Abandonaste a viagem que alegavas não querer perder! Fizeste tudo, não te culpo. Apenas a mim. Porque eu e somente eu.
E até, só queria… Como queria!
Fui incompreendida, os meus olhos não foram lidos mas sim, iludidos.
Respira – diz-me ele a mim – eu te quero ver bem!
Como posso respirar se o ar em minha volta não chega para os que estão neste barco vazio e flutuante num lago de Inverno?
Há coisa mais bela que a tristeza que me provocam, enfim, que eu provoco?
Terá melhor ou maior gosto de chorar a ouvir simples palavras ou ate um olhar meio encantado? E no final, de encantado, de empatia só resta uma poça de água fria, suja e cheia de folhas caídas, levadas por um vento destes e daqueles mais a Sudoeste.
Ilusões. Nada esta no mesmo sitio daqui a um ano, dois ou três. O momento é o agora.
Sempre foi e sempre será. No final, tudo perco, ganho apenas o vazio, a solidão. E não me importo. Pelo menos (ou até, pelo mais) eu fiz o certo. Não magoei, não iludi, não enganei. Contudo, fui iludida, magoada, enganada! Acreditei numa mentira tão falsa e preta que até mete nojo e, neste barco, não ficou ninguém. Ou porque não fui capaz de os fazer ficar ou porque os expulsei. Sem notar. Inconscientemente.
Há sol lá fora? Há, há. Nos dias mais escuros, ele está lá.
Não. Não te esqueças de um propósito teu – o de me ensinar.
Ensina-me a ver – os meus olhos estão desgastados por este derrame intenso de sangue, depois de ter em mim espetado um lápis nos olhos, só para sentir a mesma dor que já provoquei, que já vi e vivi. Uma tentativa de ultrapassar o não ultrapassável.
Ensina-me a viver a morte – o meu coração já esta fraco, sem resistência, a toda esta ausência. São dores a mais, meu amigo. É sofrimento a mais.
E abandonaste-me. Não me amaste. E eu fiquei para lá do vidro embaciado que me esconde, que… já me habitei a viver com.
E tu? Que despertaste agora porque regressar ao adormecimento?
Porque não ser desta vez, talvez, só desta vez? Não, não é?
E no teu lugar? Certamente, agia como estas agir.
A única pessoa errada e totalmente desanexada sou eu. Apenas eu.
Por isso, agredi-me pois não vês as minhas lágrimas. Não as viste hoje.
Não as verás amanha. Há palavras que podem ser árduas e corrosivas na alma.
Como me enfraqueces! Só desta vez, porque permiti. Só hoje.
Amanha, o sol continuará a brilhar. E o sangue deixara de correr.
Como tu e eles.
O barco ira seguir para parte incerta, agitada. Mas, não saberás nada disso. Porque não foste capaz de te aguentar no barco. Decidiste sair e morrer ali.
E por aqui terminou a tua viagem. Não existe porta de segundo regresso.
Os verdadeiros ficam a primeira.
Vai das sortes, temos pena.
terça-feira, 10 de junho de 2008
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