E escrever. Escrever ao som que se prolonga pelas margens do rio, que me invade espiritualmente ali. E retoma-me. E rebate-me, profundamente. Memorias, recordações… Tudo resume-se a isso. Minhas lágrimas magoadas resumem-se apenas a isso. Porque continuar? Limpa-se as lágrimas que ninguém notou e, olha-se para o lado e sorri-se para o presente, para o agora. E a música continua, prolifera-se naquele espaço húmido e inteiro, completo, afirmo eu.
As emoções explodem! Como consumem! Como são reprimidas e sentidas. Mas, não.
O não presente. É isso. É isso mesmo. A culpa é dos meus olhos. Somente deles.
Olhos que vêem mal ao longe, que me fazem perder facilmente, me fazem ficar numa confusão miserável… São eles que me fazem andar as voltas, ser parte de uma volta que não encontra o seu ponto seguro, o ponto de encontro, o ponto de equilíbrio (?) e passo por ridícula! E bem longe, mas perto, esta ali alguém, olhando para mim e por mim, segurando-me pelo seu olhar para não cair, para não me perder no meio de roupas e chuvas molhadas. Está ali, e eu sei que está. Mas, esta minha falta de visão não permite que o encontre… Ate que vejo um brilho, um raio de sol no meio da escuridão da noite que me faz seguir esse rasto de farol, onde finalmente encontro o meu porto seguro, porto de abrigo, meu porto de… E não estou mais só.
Agarro-me a essa pessoa, para não me perder… Egoísta, mesmo.
Já senti esta aflição antes. Já sofri por esta aflição que todos definem como distracção, vai mais além disso… Senti na minha inocente infância, e depois de conseguir descolar as minhas pestanas (era tão doloroso este processo!), era com o vazio que me deparava, com os bonecos a fazerem-me de companhia… e ali ficava. Doce e frágil a ver-me no espelho, onde as lágrimas se confundiam com a agua que me auxiliavam neste processo! Via uns olhos verdes, que hoje pouco resta deles… Fragmentos de cores esbatidas, mas que ainda (alguns) gostam. Hoje, voltei a esse passado.
Uma aflição de não conseguir ver, eleva todos os pedaços de vidro ao extremo da minha pele, pedaços de vidro deixados, sem intenção, quando cortava minhas pálperas para ver. Nunca foi meu interesse ser vista, mas sim ver. É fundamental para sobreviver! E não tem dado. E dá vontade, muita mesmo, de sentar no chão. Desistir de procurar, de encontrar. E esperar. Esperar que me venham buscar no lugar onde me deixaram ficar, e nem viram que para trás fiquei. E que se calhar, me importei. Simplesmente, porque não consigo ver! E aflição? É grande.
Em sonhos, até neles, é angustiante sentir que não vejo, que sou incapaz de conseguir… E caiu. E fico a espera de alguém. De um novo dia. Ou ate de mim mesma, com visão, com os olhos verdes sem os fragmentos de vidro que ficaram depositados, que ainda magoam bastante. Não me olhes nos olhos. Os teus são lindos de mais para serem desperdiçados comigo.
Um comentário:
sao olhos.. simples olhos :) *kiss
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