quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Existem caracteres visuais que nos remetem para o estado emocional de alguém do lado de lá do ecrã:

;) -> tudo bem
:) -> sorriso simples
:D -> alegria, contentamento
:( -> tristeza
:'( -> chorar
:/ -> triste mas conformado

Como apenas podemos falar por nós próprios, encaramos estes ditos smiles com reflexo da alma do outro ser. Será verdade ? Até que ponto podemos fiar-nos que é mesmo um SORRISO que a alma reluz incondicionalmente ?

Quando se a vista já de longe, um olhar apagado, será um smile dado numa folha de papel que representara a verdade, a sua verdadeira realidade? A folha acabará por voar numa rajada de vento.
No fundo, tenta-se tapar buracos que existem na nossa vida, em nós, com outros buracos.
A sabedoria não ocupa lugar, irá fazer ocupar um buraco fundo na vida de alguém?
Para mim, a resposta é não.
Pessoas que tentam ocupar todo a minúsculo tempo que tem no seu dia-a-dia para não se deparem com a realidade. Realidade essa que doí, sim, também eu já passei por isso.
O 'ainda' existe. Ainda não se aceitou que se perdeu, que não se tem. Por mais que se faça, por mais que se tente... Não é teu. Nem meu. Nunca chega a ser nosso. E compreendo e aceito toda essa cobrança que existe em ti. Faces de espelho que se vêem e nem é preciso rodar a cabeça.
Chega até mim e lê-me as rugas que existem nas minhas mãos ... Nos olhos surgiram apenas por tanto que chorei pelo vazio que existia em mim. E não soube ocupar o buraco com o cantar dos passarinhos e todas as cores do arco-íris, apenas com pó negro, que era por vezes limpo por umas árduas palavras que diziam, que pecavam por me acordar, que ainda era tempo. Tempo de voltar! Não quis, bati com os pés no chão. Contudo, aqui cheguei, por mim mesma.
Olho para o meu lado, vejo folhas machucadas (tanto como a sua alma!) e escritas quando o reboliço interior era uma tempestade, um furacão na sua plena plenitude de força!
A escrita acalmou aquela pobre e sofredora alma que se esconde através de classificações e smiles pouco ilustres e eu reconheço-me naquela pessoa, um reflexo meu, daquilo que também já passei, daquilo que também identicamente já vivi. E sofri...
Vejo folhas que foram escritas no desespero como quem faz um esforço por sobreviver e inserir-se de novo neste mundo. Mas, sem buracos era o ideal. Mente-se a si mesma! E tem-se enumeras teorias e argumentos para se fazer convencer que está bem. Será que está?
Quando a dor é muita, os atentos notam sorrisos pouco felizes.
Quando a dor é muita, o ar que está a nossa volta é pouco.
Quando existe dor, não queremos e odiamos o Tempo. Livre ou ocupado, doí.
Sim, doí o Tempo. Que teima em não passar, teima em não atenuar!
Esta dor. Fechar estes buracos que existe em todos nós. Estes smiles que ajudam esta hipotética situação de felicidade, e de felicidade? só a dor, amiga.

E eu compreendo. Sabes porque? Porque essa dor foi minha companheira de viagem e ela disse-me em tom leve e baixinho que me iria visitar um dia destes novamente.
Enquanto ela não vem, vou aproveitando o canto dos pássaros e todas as cores do arco-íris, pois quando ela chegar, eu sei, que não me vou lembrar que existem coisas bonitas na vida.

Há que aceitar que também perdemos.

Nenhum comentário: