Quanto mais busco por ser racional e procuro a realidade dentro das próprias ilusões, menos certa sou. Quanto mais certo sou, menos me aproximo da realidade.
Ninguém esta a cair… Quem cai, já caiu.
Há factos na própria vida onde é extremamente insensato e errado utilizar o gerúndio… estava caindo, morrendo… Nem pensar! Quem cai, já caiu. Quem morre, já morreu!
Escondo que eu já caí, que me encontro no fundo, é assim que escondo o meu mundo, sempre longe de um tudo. Tudo a ficar para trás. Como tudo acontece, tudo se desfaz.
O vento, leve e fino, tudo leva.
Ao meu lado, o vazio sentado neste banco de jardim.
Recipientes onde vou distribuindo meus pensamentos em subdivisões, até encher. Ate quebrar esses recipientes e voltar a enche-los. E passo as horas neste processo, esvaziar e a encher pensamentos em recipientes imaginários, que não existem, que até nem os vejo, que até…
Só fazem volume nestes espaços vazios que me ocupam!
Este chão está demasiado curto, demasiado frio para mim.
Já não há aqui nada, e não me importo. Não há nada com que eu deva me importar. Nada.
Do outro lado do espelho tudo é muito mais perfeito, tudo é mais simples.
Anseio por ultrapassar esse pedaço de vidro fundido em reflexos visuais e muitas das vezes, apenas um lamento, um respiro profundo por ver-mos o que somos realmente, sem simpatias, sem exageros, apenas o real. O que importa. Apenas isso.
Perco-me em pensamentos, soltos e bem presos a mim.
Mas, porque? E faço esta questão varias vezes ao dia. Porque?
Um silencio que é a resposta com mais complexidade que alguma vez obtive e, que agora durante esta estadia na sombra dos objectos, na sombra do que existe, encostada a esta parede fria em que os meus pensamentos a torna em pedaços de gelo que descem lentamente pelo meu corpo, fazendo o mesmo que um íman faz a um ferro, arrastando, prendendo bem a flor da pele a minha alma, as minha dores…
E quando atinge as minhas feridas, um gélido silencioso de um grito é abafado pela própria dor, pelo próprio reflexo no espelho que encontro nos olhos daqueles seres que por mim passam.
São imagens reais de mim mesma mais sóbria, mais dolorosas.
Sou eu, apenas eu.
Todas estas dores são mais fanáticas e famintas da minha alma do que um peixe sem ar, têm uma máxima urgência.
E eu pondero, paro, paraliso. Viro pedra, mais pedra que as estátuas que encontro pela cidade do Porto, uma cidade linda e misteriosa.
(...)
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