
Enganada por mim própria, enganada pelo sol falso e cínico que me ilumina, falsamente com intenções, intenções não puras, intenções não concretizadas.
Enganada, aldrabada e repentinamente roubada.
Roubada em ares, em espaços, em sensações, em virtudes do inatingível.
E não chego. Conheço o verbo, desconheço a pratica. E não me iludo.
Como posso me iludir quando o que toco são apenas mãos geladas, sem forças e sem o carisma que um dia eu conheci?
Já não há espaço aqui, permites-me partir ?
Permite-me-rei partir ?
Apenas um monologo, para diálogos é preciso mais que uma pessoa. Não tenho essa pessoa física nem psicológica. Apenas caixas sobre caixas, que a uma despercebida visão pode muito bem apresentar um corpo humano. E entretenho-me. Talvez, o ideal não seja construir muros em meu redor, mas sim, meter tudo em caixas. Coloca-las umas emcima das outras e, formar uma pessoa, uma pessoa com todas as porcarias que me habitam, uma pessoa de cartão com algumas alegrias que tive. E ficar vazia. E poder falar e falar, sem interrupções, sem pausas.
Porque uma pausa ?
As caixas não se cansam de nos ouvir, são seres inanimados.
As caixas quadradas,umas maiores que as outras, não choram, não perdem lágrimas, não sentem um sufoco no coração quando sentem saudade, quando tem vontade de fugir e não, não! voltar mais !
Ir sem conhecer o caminho de retorno - abandonar. Deslargar. Deixar ficar...
E irmos. Seguirmos.
As caixas não andam, as caixas não voam, as caixas são apenas isso.
Caixas.
E é com caixas, pacotes de bolachas que eu falo.
Melhores ouvintes não há.
Calco-as, esmago-as, rasgo-as ! E não se queixam.
No fim, depois da raiva, depois da dor ter estado ao cimo da pele.. Deixo-me cair no chão e, choro. Desalmadamente, choro como uma mãe que perdeu um filho como um filho que perdeu a mãe.
Elas sentem as minhas lágrimas, ficam moles e marcadas.
E não me enganam.
Não me confundo com elas, não deixo de querer o que quero, mas tenho uma companhia, tenho paz. Que me roubam constantemente.
Que cortam lentamente com faca de ponta afiada as minhas asas e, é por isso que estou sempre a sangrar para este chão queimado de inseguranças e incertezas.
PAAAAAAAAARRRRRRRRRRRRAAAAAAAAAAAAAA !!!!!!!!!
Grito eu, mas tudo continua.Alguém me pode salvar deste lugar onde me estou afundar?
Ajudem-me a respirar, pf !
Este lugar esta a ficar com um ar denso de mais para se respirar. Este lugar está a desvanecer, e pequeno, pequeno ficar. Perco-me neste pequeno espaço.
Onde ando eu ?
Acorda !
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