sexta-feira, 15 de maio de 2009

Esvaziar?

Esvaziar os pesos. Parar, respirar e tirar cinco minutos do meu tempo para mim.
Sou projectada para um misto de lugares neutros, eu não tenho rede.
Esvaziar a voz, tremula, perdida e por vezes vaga. Vaga mas não se torna num vulto.
Como acontece, como acontece a tudo o que o sol não faz sombra.
Esvaziar os bolsos. Ir por ai tão mais leve, tão mais preparados para mergulhar ou ficar estendida na areia.
Esvaziar os olhos. Contemplar o céu azul, cinzento, vermelho. Ver mais e melhor. Imaginar.
Esvaziar os sapatos. Esvaziar as palavras. Esvaziar o silencio e ouvir mais que mil tons de cores juntas!
Esvaziar a alma. Esvaziar o coração e poder respirar por ele e não pelos pulmões.
Esvaziar a cabeça, esvaziar o saco das magoas, sacudir as imagens das pessoas caídas, desinfectar as pontas dos meus dedos. Esvaziar as formas, as sombras.
Esvaziar o frio nos dias de calor e esvaziar o calor em dias de frio. Esvaziar as lágrimas. Esvaziar o medo. Esvaziar o escuro e repintar de luz. Encher o abraço, o carinho. Nunca esvaziar o amor, que dura. Esvaziar a vontade, a falta, o sono, o sonho, a paz. Esvaziar o vazio. Esvaziar-me para voltar a encher. De tudo. Assim, espaçadamente.

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