Vejo imagens e não são destroçadas, são reais.
Deslizo em passos lentos e revejo, revivo, resinto em câmara lenta mas menos dolorosamente os momentos.
São sinceramente poucas as palavras que me restaram. Fico estática a olhar, sei que uma musica qualquer encaixa-se como musica de fundo na minha vida.
Eu encaixo-me nessa musica que ainda não ouvi. Vou vendo, observando.
Não consigo respirar quando me acho o extremo de pessoa estranha, não-inserida e falhada.
São poucas as palavras que tenho. Lamento por tudo o que não sou capaz de ser.
Lamento por ser assim, desta maneira estranha, desta maneira contraditória, desta maneira agressiva com o que me rodeia.
Falta-me as palavras. Palavras que não sei escrever, palavras que não sei dizer, palavras por criar, palavras por inventar. Cruzo riscos e linhas na tentativa de me aproximar da barreira do sensato e do coerente. De repente, tenho flashes. Que me mostram pessoas iguais a mim, que perderam e que era esse o seu papel nesta sociedade. O papel de não ter, de não conseguir, de não ser capaz de prender alguém, não ser amada.
E peço... Peço tanto para que me escolhas, para que me ames. Não quero este papel. Pedia-te que me protegesses nas tuas asas de cetim em que eu gosto tanto de me encontrar.
Sei de cor esse mexer de lábios enquanto debitas palavras soltas que eu não as sei apanhar. Fico por observar-te enquanto falas, enquanto respiras, enquanto fumas, enquanto sorris.
Fico atentamente presa a esses pormenores que sei que não são minimamente normais das pessoas. Eu sou assim. Não sou o ideal, não sou o melhor. Sou a segunda.. nunca fui a primeira de ninguém. Segunda pessoa na vida de todos e isto porque a primeira escapa sempre. E o razoável chega para preencher a vida de alguém. Eu só quero ser eu, por mais errada que seja, por mais incoerente, por mais que me falte.. Talvez não tenha o direito de sair deste papel que me destinaram mas eu sinto luz nos teus olhos. Deram-me um papel sem palavras, as linhas são curvas e eu perco-me nestes círculos.
Deixo-me caída no chão a escutar palavras, a tentar encontrar vestígios teus ainda que pequenos, ainda que vulgares, ainda que sintéticas. Reduzi a minha fala para me ouvir mais. Reduzi os meus sorrisos para estar receptiva as lágrimas. Reduzi-me para conseguir ter conversas comigo mesmas.
Lavo as mãos. Passo creme pelo corpo. Vou para os refúgios de quando era mais pequena e estava assustada com os meus próprios sentimentos. Refugiu-me nos braços de fantasmas que nunca abandonaram-me. Tudo o que faço estou prolongadamente a pensar. E já não estou cá. Nem sei o que me dizem, mas aceno afirmativamente e sorriu. Desço escadas, apanho chuva. Volto a rotina de apanhar o autocarro. Caminho no sentido oposto a minha casa e sigo para as poças de agua, para debaixo da nuvem mais escura que encontrar no céu. Quero disfarçar as minhas lágrimas. É apenas chuva, de um dia de Primavera que mais parece Inverno. Perco-me em roupas molhadas e fico a pensar.. Palavras não tenho, mas sei sorrir.
Daria para trocar tudo o que tenho para dizer por um sorriso? E por um lágrima?
Afirmarias que são demasiado preciosas para as soltar. Dirias que no céu existem estrelas muito menos brilhantes que eu. Responderia-te hipoteticamente que sou apenas uma estranha. Pediria-te desculpa por tudo aquilo que sinto.. se tivesse palavras. Ainda tenho que as inventar, produzir.
Deslizo em passos lentos e revejo, revivo, resinto em câmara lenta mas menos dolorosamente os momentos.
São sinceramente poucas as palavras que me restaram. Fico estática a olhar, sei que uma musica qualquer encaixa-se como musica de fundo na minha vida.
Eu encaixo-me nessa musica que ainda não ouvi. Vou vendo, observando.
Não consigo respirar quando me acho o extremo de pessoa estranha, não-inserida e falhada.
São poucas as palavras que tenho. Lamento por tudo o que não sou capaz de ser.
Lamento por ser assim, desta maneira estranha, desta maneira contraditória, desta maneira agressiva com o que me rodeia.
Falta-me as palavras. Palavras que não sei escrever, palavras que não sei dizer, palavras por criar, palavras por inventar. Cruzo riscos e linhas na tentativa de me aproximar da barreira do sensato e do coerente. De repente, tenho flashes. Que me mostram pessoas iguais a mim, que perderam e que era esse o seu papel nesta sociedade. O papel de não ter, de não conseguir, de não ser capaz de prender alguém, não ser amada.
E peço... Peço tanto para que me escolhas, para que me ames. Não quero este papel. Pedia-te que me protegesses nas tuas asas de cetim em que eu gosto tanto de me encontrar.
Sei de cor esse mexer de lábios enquanto debitas palavras soltas que eu não as sei apanhar. Fico por observar-te enquanto falas, enquanto respiras, enquanto fumas, enquanto sorris.
Fico atentamente presa a esses pormenores que sei que não são minimamente normais das pessoas. Eu sou assim. Não sou o ideal, não sou o melhor. Sou a segunda.. nunca fui a primeira de ninguém. Segunda pessoa na vida de todos e isto porque a primeira escapa sempre. E o razoável chega para preencher a vida de alguém. Eu só quero ser eu, por mais errada que seja, por mais incoerente, por mais que me falte.. Talvez não tenha o direito de sair deste papel que me destinaram mas eu sinto luz nos teus olhos. Deram-me um papel sem palavras, as linhas são curvas e eu perco-me nestes círculos.
Deixo-me caída no chão a escutar palavras, a tentar encontrar vestígios teus ainda que pequenos, ainda que vulgares, ainda que sintéticas. Reduzi a minha fala para me ouvir mais. Reduzi os meus sorrisos para estar receptiva as lágrimas. Reduzi-me para conseguir ter conversas comigo mesmas.
Lavo as mãos. Passo creme pelo corpo. Vou para os refúgios de quando era mais pequena e estava assustada com os meus próprios sentimentos. Refugiu-me nos braços de fantasmas que nunca abandonaram-me. Tudo o que faço estou prolongadamente a pensar. E já não estou cá. Nem sei o que me dizem, mas aceno afirmativamente e sorriu. Desço escadas, apanho chuva. Volto a rotina de apanhar o autocarro. Caminho no sentido oposto a minha casa e sigo para as poças de agua, para debaixo da nuvem mais escura que encontrar no céu. Quero disfarçar as minhas lágrimas. É apenas chuva, de um dia de Primavera que mais parece Inverno. Perco-me em roupas molhadas e fico a pensar.. Palavras não tenho, mas sei sorrir.
Daria para trocar tudo o que tenho para dizer por um sorriso? E por um lágrima?
Afirmarias que são demasiado preciosas para as soltar. Dirias que no céu existem estrelas muito menos brilhantes que eu. Responderia-te hipoteticamente que sou apenas uma estranha. Pediria-te desculpa por tudo aquilo que sinto.. se tivesse palavras. Ainda tenho que as inventar, produzir.
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