domingo, 8 de março de 2009

Uma tarde no aeroporto.

Estive uma parte inteira perdida e pronta. Essa tarde estive no aeroporto.
Um aeroporto de qual eu me senti parte. Não fundamental mas elementar.
Sem passar de mais um elemento, ali, no meio de tantos elementos desconhecidos.
Tinha um bilhete de ida na mão mas desconhecia o destino. O bilhete fazia suar as minhas mãos enquanto os meus olhos estavam colados a vários aviões, a varias historias, a várias vidas.
Diferentes vidas!
Era isso que eu queria. O meu bilhete tinha esse propósito. Alterar a minha vida.
Vi as horas passar. Ali, naquele aeroporto estive como pedra.
Divaguei em nadas e fixei-me em tudo aquilo que nunca fui. Nem quis ser.

Tudo rodeava a minha mente e era sozinha que estava. Era sozinha que iria partir.
Era mesmo o ideal! Deixar as companhias, deixar os vícios, deixar o meu conteúdo para trás.
Reconstruir a minha vida, sabendo agora melhor que nunca, o que eu quero mesmo para mim.
Saber o caminho, conhecer os passos e as distancias.
Vi muitas historias. Criei uma personagem e ela vinha todos os dias aquele aeroporto.
Sentava-se no mesmo banco. Esperava. Esperava com muita esperança que o seu amor chegasse de viagem. Um amor que não sabia existir, não sabia a identidade mas sentia.
Sentia que ali, sim, era ali que tinha que esperar pela sua felicidade.
Era, no fundo, aquele o seu motivo de levantar-se todos os dias da cama.
Dirigia-se para aquele aeroporto. Eu vi ele chegar.
Vi, ele ali. Vi magia, esperança, vontade no seu olhar. Senti uma leve rajada de vento e o tempo continuo, não parou como estou habituada a ler em livros.
Decidi não parar e deixar-me ir ter com ele, falar com ele. Estranho, eu senti que ele não falava para ninguém e tinha tanto mas tanto para dizer. Ele não falava e eu sei porque.
Ele guardou em si todas as palavras para as dizer, sem repetir, sem haver banalizações, tudo o que foi colhendo ao longo da sua espera.
Ele não sorria apesar do seu mundo interior estar numa ânsia feliz de encontrar o seu amor, por quem tanto espera. Ele queria que todos os sorrisos fossem unicamente para aquela pessoa.
Senti que a dita pessoa seria a mais sortuda, a mais amada. Continuei em passos lentos até ele.
Tentava entender o motivo de ser aquele banco, onde o sol não batia e raramente era limpo.
Deixei-me de interrogações.
Ele era um estranho tão revelador de uma vida de espera. Tinha ate ar disso mesmo - de espera.
Cheguei ao banco. Estranhamente frio, estranhamente solitário.
Ousei e sentei-me naquele banco.
Sensivelmente fui virando a cara para falar, para lhe falar..
Só ai percebi que não estava ninguém ali.
Indignei-me! Revoltei-me! Como podia estar acontecer? Onde estava ele??
E eu senti que a minha pergunta ficou suspensa. Como todas as perguntas dele, que eu via, suspensas.

Substitui-o. E esperei. Ainda espero. Perdi o avião e rasguei o bilhete.
Só queria o bilhete para a minha viagem interior. E sim, nessa eu embarquei.
De cabeça.

Não dá para construir uma casa sobre outra. Como poderia eu construir uma vida?

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