O frio é constante mesmo quando os termómetros indicam temperaturas favoráveis a um dia sem muita roupa, sem luvas, sem cachecóis. E ainda melhor!, pois não tenho nem luvas nem cachecol. A alma aponta temperatura negativa, encontrada vazia e solta. Os restos do calor do meu corpo estão por um fio e a respiração a enfraquecer.
Esfrego os olhos e só agora me apercebi que o mundo parou.
Corri e desgastei a sola dos meus sapatos para te encontrar, para te encontrar no meio deste fumo gelado e por entre sombras, senti o teu cheiro.
Guiei-me rastejando pelo chão molhado para chegar aos teus pés, para estar como sempre tive - a teus pés.
Encontrei-te. Foi ainda mais gelado o teu olhar do que toda aquela temperatura envolvente. Estavas hirto e o teu olhar não me via. Tentava encontrar o fio do teu olhar para o mover para os meus olhos, mas era impossível. Voltar para trás? Já não tinha forças. Estava presa aquele seu chão, onde fui tantas e tantas vezes pisada.
Desmontei-me naquilo que sempre fui - pedaços tortos que não encaixam.
Desenhei no chão um relógio. Queria, desejava, invoca, implorava para que o Tempo voltasse, para que aqueles ponteiros rodassem e que o passado imperfeito perfeito ficasse.
Nada se alterou, estava frio, tinha a vontade sem saber o que fazer.
Abri a minha mão e constatei algo escrito em letras gordas e dizia: "Ama-me" , e era aquilo mesmo que precisava na altura. E ainda neste momento tenho aquela palavra escrita na mão esquerda, mão imperfeita como o amor, como o frio que sinto quando estou num plano simétrico aos pés dele, pronta e preparada mais uma vez para não aquecer, para ver sombras e cega permanecer. Como as rochas, como este fumo branco que faz contraste com este preto dos corações pesados e torturados. Meu anjo.
Esfrego os olhos e só agora me apercebi que o mundo parou.
Corri e desgastei a sola dos meus sapatos para te encontrar, para te encontrar no meio deste fumo gelado e por entre sombras, senti o teu cheiro.
Guiei-me rastejando pelo chão molhado para chegar aos teus pés, para estar como sempre tive - a teus pés.
Encontrei-te. Foi ainda mais gelado o teu olhar do que toda aquela temperatura envolvente. Estavas hirto e o teu olhar não me via. Tentava encontrar o fio do teu olhar para o mover para os meus olhos, mas era impossível. Voltar para trás? Já não tinha forças. Estava presa aquele seu chão, onde fui tantas e tantas vezes pisada.
Desmontei-me naquilo que sempre fui - pedaços tortos que não encaixam.
Desenhei no chão um relógio. Queria, desejava, invoca, implorava para que o Tempo voltasse, para que aqueles ponteiros rodassem e que o passado imperfeito perfeito ficasse.
Nada se alterou, estava frio, tinha a vontade sem saber o que fazer.
Abri a minha mão e constatei algo escrito em letras gordas e dizia: "Ama-me" , e era aquilo mesmo que precisava na altura. E ainda neste momento tenho aquela palavra escrita na mão esquerda, mão imperfeita como o amor, como o frio que sinto quando estou num plano simétrico aos pés dele, pronta e preparada mais uma vez para não aquecer, para ver sombras e cega permanecer. Como as rochas, como este fumo branco que faz contraste com este preto dos corações pesados e torturados. Meu anjo.

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