Foi exactamente aquele dicionário laranja que me ofereceste no momento que me mandaste calar.
Foi um mundo de palavras que não conhecia, apenas queria rasgar as páginas e em cada palavra, desfazer-las em letras, pequenas sem construir algo significante.
Deste-me um estalo com a verdade de que o meu caixão não seria branco como sempre quis que fosse. Afirmaste e sublinhaste a necessidade prudente de não sonhar, não acreditar e não ter esperanças. Desde de aí aprendi aguentar, a suster a respiração, a não sentir... Hoje, olhando para as paredes do meu quarto vejo os golpes que têm, pelos murros furiosos e desesperados da minha alma, tão já sofredora e amargurada. E estes fantasmas? Não largam a minha sombra, em cada passo dado ou arrastado, estam lá. Não está certo o passado já ter sido imperfeito e agora não me abandonarem. Silencio, breathe in, breathe out ... Não passa de silêncios mais duros que outros. Não passa de palavras mais frias que outras.
Tento gritar quando me sinto assustada, a partir por dentro, a sufocar, a esconder.
O maxilar descola-se e já não consigo gritar. A base que meto no meu rosto já não disfarça as nódoas da minha alma, desespero desesperante de gritar! Fecho os olhos, inspiro e expiro, sinto-me a desvanecer. Da mesmo forma que empurras o teu passado pra bem longe de ti, empurras-me a mim para o cais, antes de cair ... Já me parto. Perco-me entre soluços e choros não contidos, furiosos e necessitados de conhecer a luz do dia. Fechas a persiana da minha vida limitando a minha voz mesmo quando me ofereces um dicionário em forma de silencio. silencio, silencio! Gritos, berros..!!! como não posso gritar, choro continuamente, nem eu sei bem porque.. nem eu sei bem porque! sem parar...
quero fugir, quero um abraço e não um dicionário em forma de laço.
Atiras-me cinzas do teu cigarro e eu quase que me afogo...
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