terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Era assim.


Era assim. Era assim que me encontravas a tua espera, nua, despedida. Tocavas-me e eu sabia para o que vinhas. Mas, nunca entendi porque foste embora. Percorrias-me suavemente e depois esquecias de quem eu era, de quem estava contigo. Era mais uma. Só te importavas contigo. E eu também, eu também só me importava contigo! Desististe quando eu não tinha capacidade de o fazer. Choras, mas confundes as tuas lágrimas com a chuva, para ninguém se aperceber. Tornaste o teu coração gelado e eu permaneci no mesmo sitio de sempre, nua, as mesmas horas e no mesmo sitio á espera do teu toque, da tua respiração, da tua posse sobre mim, sobre o meu corpo e alma. Continuei a espera. A espreitar na fechadura da porta por ti e só o tempo passava. Hoje, já não espero. Porque percorrer a rua que já sabemos que tem beco? Não insistir, não lutar e o 'não' manter. Atirei-me da janela abaixo. Vesti-me e não voltei a esperar por ti. Não vou esperar, não vou congelar. Enchi a minha própria banheira com as minhas lágrimas e mergulhei de cabeça e entendi. Entendi que dei-te tudo, o lugar na minha cama, na minha vida, no meu corpo, no meu coração. O Lugar que não se dá assim. E eu dei-te com um sorriso na cara. Penetraste na minha pele e todos os dias cuspo na tua foto, porque eu não quero mais. Não quero mais amar-te, não quero ver-te. Segui em frente. Cada vez mais me cativo pelo arco-iris que quero acreditar que contigo não via. Gostavas de me fazer tua com vendas nos olhos, mais uma das tuas fantasias. E eu permitia-te a satisfação total quando a minha satisfação interior era reduzida a míseros bombons que me davas em palavras para me adoçar a boca ou alma, nunca entendi. Agora, olho para o sol e sei que ele brilha muito mais do que tu. E compreendo hoje, que esta nas minhas mãos a minha valorização e não nas tuas. E apercebo-me que ser feliz não tem que ser obrigatoriamente contigo. Não estou a errar, não estou a destruir a pessoa que sabes que sou, estou apenas apreender a ser feliz. Ao contrario de ti, que me amas, que me choras, que nos lamentas. Foi a tua escolha. Era assim nua e tão tua que me encontravas. E hoje, já não. Já tão pouco tua, tão pouco nua. E sem vendas.

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