quinta-feira, 18 de dezembro de 2008


O compasso de espera é lento, tempestoso e barulhento.
Caminho e vou chutando todas as pedras que vão aparecendo no meu percurso. Com muito força, sim, toda a força naquelas pedras, onde somente eu me magoou.
Tenho os pés pisados e em ferida, tanto pelas caminhos que ando a percorrer tanto pelas pedras que ando a chutar.
Ainda há tempo, ainda há esperança. Só não há vida!
Mas isto nem é o importante. O que importa é parecer vivo, o interior pode estar morto.
Ninguém morre se a alma estiver morta.
Inspira-se aquela cheiro que para nós nunca foi um cheiro de perfume, de pele, de alma.. Era como se fosse o nosso ar. Inspira-se profundamente para entrar bem no nosso sangue e renovar o sangue para que o corpo continue a viver.
"Adeus", ouve-se enquanto a concentração no barulho das lágrimas a caírem pela face era total, desperta-se a consciência e com os olhos embebidos em lágrimas e tão doloridos do choro, tentam enxergar a partida. A ida sem volta.
Fecha-se os olhos! Arranca-se os cabelos e cai-se ali no chão molhado, debaixo de um candeeiro que nos dá luz no meio da escuridão do nosso sofrimento.
Pelo menos, um poste onde bater com a cabeça e deixar-se cair.
Quedas e sofrimento está tudo tão perto da minha mão. É difícil falar.
Despede-se com um beijo na face. Já nada brilha! Já nem durmo na cama onde tantas e tantas vezes repousamos. Visto a melhor roupa, quero acabar bonita. Nunca sei quando vou ter coragem para terminar com este compasso de espera, em que os dedos aguardam por pressionar a tecla do piano até dar um dó grave. Ai sim, os sinos vão ter razão para tocar incessantemente.
Por uma vez, deixarei sentir este sofrimento que me aflige e atormenta a vida, ou melhor, a morte da minha alma. Porque o interior está morto. E continua a doer esta ausência. e vai sempre doer até ao final. Até ao final de mim.

2 comentários:

dyphia disse...

Não precisas agradecer...
Alias se analisares bem, perceberás que não passo de uma interesseira que digo as coisas que eu própria preciso ouvir... percebes? ;)
Eu sei mt bem o tamanho da dor que sentes neste momento... dor insuportável como se tivesses todas as tuas entranhas em chamas e desejasses a cada momento deixar de respirar... sei também que te parece praticamente impossível supera-la...
sentes que te roubaram todos os sonhos. E questionas incessantemente o “ que tenho eu de errado?”
a resposta é simples… não tens nada de errado… tudo em ti está correcto, perfeito. Foste fiel aos teus sentimentos… tiveste a coragem de lutar por eles… simplesmente entregaste-os ao homem errado… aquele que infelizmente não foi inteligente o suficiente para perceber o tesouro que lhe tavas a entregar e atirou-o fora como um pedaço de papel velho que já não serve para nada…
mas ele tava errado… porque o papel que ele julgou velho pode ser reciclado e nele ainda se escreverão historias bonitas… as tuas historias bonitas...
agora dói muito… e, eu sei que o tempo não vai apagar essa dor mas vai sem duvida amaina-la e no final ficará apenas uma pequena cicatriz para te fazer recordar que venceste essa guerra…
isto n são palavras para apenas te consular… são palavras de fé, as mesmas que digo a mim todos dias para ganhar forças p continuar de cabeça levantada…

jitinhos…

VD. disse...

gostei muito , MESMO ;D
vai ao meu , sff ;]
beijinho *__*