
Um ano, quatro estações conheceu e a duas semanas de concretizar o seu primeiro ano, morreu.
Foi mesmo assim que aconteceu.
Foi um presente lindo, uma felicidade com asas. Que não voou, mas morreu.
Numa folha, com linhas, depositei toda a minha raiva com profundos riscos de cores negras, de tons pesados, em certas partes nota-se perfeitamente os cortes que a ponta da caneta foi capaz de fazer. No meio de riscos, mensagens delineadas sobre o branco pálido que se confundia com a minha pele. Foi-se riscando, aldrabando enumeras interpretações ao olho humano assente em proposições sem quantidade e qualidade. Ao nível do andamento da música, foi aparecendo o nome que te chamei e tu simbolizavas tantos sorrisos e enormes emoções de felicidade.
Senti-te como parte de nós, algo dele e meu.
Desenhei-te por entre linhas tortas e carregadas, escrevi hoje e ontem teu nome, eras a imagem acústica deste termo carinhosamente aclamado pela alma. Brincava com fotos, imaginava-nos como uma "família" e a custa disso, rimos muito! Hoje não.
Só aqui ficou o desenho, os riscos, as memorias do que já foi e não volta.
Foi com asas, embrulhado num laço de cetim... e eu nem me despedi.
Olho para o que escrevo e vejo longe alguém de mão dada com a sua metade do coração, paro, olho para as minhas mãos e estão de mãos dadas com o vazio, a espera de uma lembrança. Outras vezes, fingo que a minha mão direita é a mão de outra pessoa e aperto bem forte a minha mão esquerda.
Outras vezes, divago em caricias a mim mesma quando passo por alguém de joelhos, encostado a uma arvore. Peço por não me ver em quatro paredes e com uma escada sem fim para subir.
Fico deslumbrada com os cantares dos pássaros porque me lembram uma voz meiga e doce que conheço.
Que vai e volta, como as andorinhas. Até morrer.
Foi isso mesmo que aconteceu. Acontece sempre. E eu? não vi, mas senti.
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